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97. fazer uma torta de banana

Carl Sagan falou uma vez que se alguém quiser fazer uma torta de maçã desde o começo, primeiro tem que inventar o universo. Eu concordo, mas fiz uma torta de banana porque estou na Bahia.

 

Torta de Banana Boipebana

 

INGREDIENTES
4 bananas
4 ovos
50g de chocolate amargo
100 g de acerolas para a calda
400ml de melaço
10g de óleo de côco

TEMPO DE PREPARO: 13,7 bilhões de anos

 

INSTRUÇÕES

 

1- BANANAS – Quando o cacho de bananas ta bem gordo é preciso tirar ele da bananeira para que elas fiquem maduras, se não elas apodrecem na árvore sem nunca ficarem boas. Para isso se corta a árvore inteira, se cortarmos o cacho e deixamos a árvore, ela apodrece inteira e morre. Tenho a impressão que bananeiras são mega organismos, e de verdade sempre têm várias, uma do lado do outra, quando corto uma, a do lado cresce muito mais rápido.

 

Cortei a enorme bananeira com muito cuidado para que não caísse no terreno do vizinho. Mas não adiantou e mesmo assim ela caiu no terreno do vizinho. Dentro da bananeira tem um tipo de palmito, será que é comestível?

 

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Depois pendurei as bananas, e três dias depois elas estavam amarelas e ótimas.

 

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2 – OVOS –  As mães dos meus ovos vivem de boa, soltas, e seus ovos são minúsculos. Uma dessas duas é a mãe.

 

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3 – CHOCOLATE – Cheguei numa má hora na casa do Seu Zé, procuramos pelas árvores de cacau e conseguimos achar só dois cacaus maduros. O cacau nasce atravessado, direto do tronco, nunca vi outra fruta assim.

 

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Abri os cacaus e comi a carne que fica ao redor das sementes, depois deixei as sementes secando no sol por dois dias.

 

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Quando vi que estavam quase secas coloquei as sementes por dez minutinhos no formo, para ficar mais fácil de descartar. Sem a casca as sementes ficam lindas, esses encaixes e ramificações parecem quebra-cabeças.

 

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Triturei as sementes, cozinhei elas um pouco com três colheres de caldo de cana. Quando esquentamos o cacau ele solta uma manteiga, e vira chocolate. Triturei e cozinhei mais duas vezes, até ficar na consistência de um creme. Meu mixer nunca conseguiria moer tanto o cacau para que ficasse naquela consistência de chocolate mesmo, mas ficou bom com uns pedaços amargos de semente.

 

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4 – MELAÇO – A Dona Meca planta cana, ela tem a horta mais linda que eu ja vi, totalmente caótica, no terreno do lado da casa. Fui até lá e ela me deu cinco pedaços de cana recém cortada, e aproveitou e me deu um côco também.

 

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Fiquei sabendo que o Seu Ari é o dono da única máquina de moer cana da ilha, fui atrás dele. E descobri que ele mora nessa linda casa de pau-a-pique.

 

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Ele me ensinou que antes de moer a cana precisamos raspar muito bem com uma faca, até tirar toda a casca verde, se não o caldo fica preto. Seu Ari e o filho dele usaram a máquina para moer, essa parte não fiz.

 

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Meus cinco pedaços renderam quase 1,5l litros de caldo de cana. E aparentemente não raspei bem porque o caldo ficou pretíssimo, mas o gosto ficou normal.

 

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Cozinhei o caldo por quase uma hora, até ele reduzir a 400ml e ficar muito mais doce e um pouco mais espesso, mas não tanto quanto um melaço mesmo, eu deveria ter cozinhado por mais tempo, mas precisei sair de casa.

 

5 – ÓLEO DE CÔCO – Usei o côco que a Dona Meca me deu. Primeiro tirei a água e reservei, depois cortei a carne, e coloquei tudo no liquidificador, coloquei um pouco de água da torneira até cobrir todos os pedaços.

 

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Bati depois coei. Esse leite de côco ficou na geladeira de um dia para o ouro, até formar uma camada de um centímetro de manteiga, na superfície

 

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Separei essa manteiga e cozinhei até soltar todo o óleo. Quando os pedacinhos de côco estão marrons o óleo ta pronto.

 

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E aí está o mais puro e transparente óleo de côco virgem.

 

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COM TODOS OS INGREDIENTES REUNIDOS

 

 

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Separei as claras e gemas dos ovos.
Bati as bananas, gemas, 200ml de melaço, óleo de coco e chocolate.

 

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Bati as claras em neve e misturei também.

 

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Nessa hora percebi que tinha esquecido de untar a forma, então peguei uns dendês do jardim, tirei a parte macia deles e bati no mixer, saiu uma gosma gordurosa, pequei um papel e esfreguei tudo na forma, deu super certo.

 

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Assei por 30min.

 

Para a calda peguei acerolas do quintal da íris e bati com três colheres de melaço, depois coei.

 

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Esse pedaço da foto ficou com um ótimo gosto, mistura de melaço com acerola. Mas como a torta toda ficou com uma textura esponjosa, e um pouco molhada, achei melhor assar por mais tempo, quando tirei do forno a casa toda tava com cheiro de ovo, e desde então não tive vontade de comer os outros pedaços.

 

Os ovos de galinhas soltas têm as gemas muito mais laranjas, e devem ter gosto mais forte. Não costumo comer ovo, mas quis que as galinhas participassem da minha torta.

5 Comentários

  1. Pedro Karam disse:

    QUE DELICIAAAAAAAAAAAAAA

  2. dani disse:

    narrativa envolvente, amei o final

  3. Antonio Ternura disse:

    Como não amar!!!

  4. Caroline Coelho disse:

    estou muito admirada com a forma como você vive, parabéns pelos projetos 🙂

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